sábado, 12 de julho de 2008

Voa, querido, a vida é só uma. Viva a vida sem medo, sem repressão, mesmo que seja
amando pouco. O amor, ao mesmo tempo que te beija, te morde; ao mesmo tempo
que te acaricia, te maltrata; é duro e mole; é felicidade e infelicidade; é satisfação e insatisfação.
Viva a vida, vida da minha vida, seja feliz de qualquer forma..."

Carta escrita para Cazuza, de sua mãe Lucinha Araújo. Tirada do livro "Só as Mães são Felizes".

Luz Negra

Cazuza
Composição: Nelson Cavaquinho e Irani Barros

Sempre só
eu vivo procurando alguém
que sofra como eu também
mas não consigo achar ninguém

Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de Mim
Tô chegando ao fim

A luz negra de um destino Cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde eu tô representando o Papel
Do palhaço do amor

Sempre só
E a vida vai seguindo... vai Seguindo assim
Não tenho quem tem dó de Mim
Tô chegando ao fim

A luz negra de um destino Cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde eu tô representando o Papel
Do palhaço do amor

Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de Mim
Eu tô chegando ao fim

Eu tô chegando ao fim
Eu tô chegando ao fim
Eu tô chegando ao fim

Mal Nenhum

Cazuza
Composição: Cazuza / Lobão

Nunca viram ninguém triste?
Por que não me deixam em paz?
As guerras são tão tristes
E não tem nada demais

Me deixem, bicho acuado
Por um inimigo imaginário
Correndo atrás dos carros
Feito um cachorro otário

Me deixem, ataque equivocado
Por um falso alarme
Quebrando objetos inúteis
Como quem leva uma topada

Me deixem amolar e esmurrar
A faca cega, cega da paixão
E dar tiros a esmo e ferir
O mesmo cego coração

Não escondam suas crianças
Nem chamem o síndico
Nem chamem a polícia
Nem chamem o hospício, não

Eu não posso causar mal nenhum
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim

Todo Amor que Houver Nessa Vida

Cazuza
Composição: Frejat/ Cazuza

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

Eu Queria Ter Uma Bomba

Cazuza
Composição: Cazuza

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

Exagerado

Composição: Cazuza / Ezequiel Neves / Leoni

Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados
Na maternidade...

Paixão cruel
Desenfreada
Te trago mil
Rosas roubadas
Pra desculpar
Minhas mentiras
Minhas mancadas...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar...

E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado!
Eu adoro um amor inventado (Bis)

Cazuza

Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 — Rio de Janeiro, 7 de julho de 1990) foi um famoso cantor, compositor e poeta brasileiro que ganhou fama como o vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho. Cazuza é considerado um dos mais importantes compositores da música brasileira. Sua parceria com Roberto Frejat é criticamente aclamada como uma das melhores do rock brasileiro. Dentro suas composições famosas junto ao Barão Vermelho estão "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", "Pro Dia Nascer Feliz", "Maior Abandonado", "Bete Balanço" e "Eu Queria Ter Uma Bomba".

Cazuza tornou-se um dos maiores ícones da música brasileira durante o século XX. Entre seus sucessos musicais destacam-se "Exagerado", "Codinome Beija-Flor", "O Nosso Amor A Gente Inventa", "Ideologia", "Brasil", "Faz Parte Do Meu Show" e "O Tempo Não Pára".

Cazuza também ficou conhecido por ser rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual. Ele foi o primeiro artista brasileiro a declarar publicamente ser soropositivo e sucumbiu à doença em 1990, no Rio de Janeiro.